Edição especial da série Match. Desta vez não colocamos cozinhas frente a
frente, nem trens, nem carros. Colocamos duas camisas. O azul da
Marianne, o amarelo da canarinha. E uma única pergunta: quem vai ganhar a
próxima Copa do Mundo?
O confronto
Les Bleus (França, 1904–…) — Criada em 1904, junto com a FIFA. Duas
estrelas bordadas acima do galo: 1998 (em casa, num 12 de julho, um
Zidane duas vezes, um "e um e dois e três a zero") e 2018 (na Rússia,
um jovem Mbappé, um pênalti de Griezmann, um contra do Mandžukić). Estilo
de jogo: pragmático, disciplinado, contra-ataque letal. Palmarés: 2
estrelas, 3 finais, 8 semifinais. Campeã do mundo em 2018, vice em 2022
(derrota nos pênaltis contra a Argentina).
A Seleção (Brasil, 1914–…) — Criada em 1914. Cinco estrelas
bordadas acima do canarinho: 1958 (Pelé aos 17 anos), 1962
(Garrincha), 1970 (o time mais mítico da história, Pelé-Tostão-
Jairzinho-Rivelino-Gérson-Carlos Alberto), 1994 (Romário, Bebeto),
2002 (os "R": Ronaldo-Rivaldo-Ronaldinho). Estilo de jogo:
futebol arte, ginga, criatividade, dribles, alegria. Palmarés: 5
estrelas, 7 finais, 11 semifinais — única seleção a ter disputado
todas as Copas do Mundo.
O duelo na história
Bleus contra Seleção, são quatro confrontos em Copa do Mundo, e a
França lidera 3-1:
- 1958 (semi, Suécia): Brasil 5, França 2. Pelé com hat-trick aos 17.
- 1986 (quartas, México): França 1, Brasil 1, depois 4-3 nos pênaltis.
Um dos maiores jogos de todos os tempos. Platini, Zico, Sócrates.
- 1998 (quartas, França): França 3, Brasil 0. Na final. Duas
cabeçadas de Zidane, um gol de Petit. Ronaldo desaparecido (a história
da crise de epilepsia da manhã).
- 2006 (quartas, Alemanha): França 1, Brasil 0. Zidane maestro.
Gol de Henry na cobrança de Zidane. A humilhação de um Brasil favorito.
Desde 2006, não se cruzaram mais em Copa do Mundo. Vinte anos de
espera. Os fãs dos dois lados sonham com um reencontro.
Então, quem ganha a próxima?
Argumentos para os Bleus:
- Geração 2026 no auge: Mbappé, Dembélé, Camavinga, Konaté, Théo Hernandez,
Rabiot, Tchouaméni.
- Deschamps ainda no banco (até 2026 depois da Copa), sistema rodado.
- Uma experiência absurda: campeão em 2018, vice em 2022, favorito em 2024.
Argumentos para a Seleção:
- Um celeiro infinito: Vinícius Jr, Rodrygo, Endrick (Real Madrid),
Raphinha, Bruno Guimarães, Alisson, Militão.
- Novo técnico Dorival Júnior devolvendo jogo posicional.
- A fome da 6ª estrela: 24 anos sem Copa, uma eternidade para um país
que vive do futebol.
Nosso palpite? Não vamos dar. Cabe a você votar embaixo do artigo.
O banner no topo da página compila os votos de toda a série Match:
cada edição soma pontos para Time França ou Time Brasil. Este Match aqui
é o mais simbólico. Mas no grande campeonato das rivalidades França-Brasil,
nada está decidido.
O que essas camisas nos contam
Uma camisa de futebol é um resumo sociológico. O azul francês diz
República: a Marseillaise, a Marianne, o galo, as três cores. É uma
camisa de Estado. O amarelo brasileiro diz carnaval: a alegria, a dança,
as cinco estrelas bordadas como um rosário, o canarinho que canta antes
de cada jogo. É uma camisa de povo.
Duas formas de amar um país. O futebol nunca disse outra coisa.
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