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LittératureNível B1
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~18 min de leitura

Alexandre Dumas — o romancista que inventou o folhetim (B1)

« Um por todos, todos por um ! » — a frase mais célebre da literatura francesa vem de um romance-folhetim publicado em 1844. Retrato de Alexandre Dumas, romancista prolífico, mestiço franco-haitiano, e verdadeiro inventor do romance popular moderno. Com duas bibliotecas digitais gratuitas para ler tudo (Gallica, TV5 Monde).

Assinado por·11 de julho de 2026·~18 min de leitura

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Alexandre Dumas — le romancier qui a inventé le feuilleton (B1)
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Alexandre Dumas: 180 anos de Os Três Mosqueteiros — e como ler seus romances gratuitamente

« Um por todos, todos por um! »

Você conhece essa frase. Ela vem de um romance publicado há exatamente 180 anos, em um jornal parisiense, capítulo após capítulo. Seu autor? Um gigante. No sentido literal: 1,85 m, cabelo crespo, apetite gigantesco, energia inesgotável. Alexandre Dumas.

Hoje, em 2025, celebramos os 180 anos da publicação de Os Três Mosqueteiros. Mas acima de tudo, vamos descobrir juntos como ler Dumas — e todos os clássicos franceses — gratuitamente, legalmente, em francês ou em tradução. Pegue seu café, acomode-se: vamos partir para uma viagem literária de 1802 até hoje.


1 · Um homem extraordinário

Alexandre Dumas nasce em 1802 em Villers-Cotterêts, uma pequena cidade ao nordeste de Paris. Seu pai, o general Thomas-Alexandre Dumas, era um herói. De verdade: filho de uma escrava haitiana e de um aristocrata normando, ele se torna um dos maiores oficiais dos exércitos revolucionários franceses. Era apelidado de « le Diable noir » (o Diabo Negro). Comandava 53.000 homens. Inspirava terror. Mas quando Napoléon chega ao poder, Thomas-Alexandre cai em desgraça: Napoléon não gostava de homens livres, muito menos de negros livres. O general morre em 1806, arruinado, humilhado, esquecido.

Alexandre cresce pobre. Sua mãe, Marie-Antoinette, cria sozinha seus dois filhos em uma casa modesta. Sem escola, poucos livros. Alexandre aprende a ler sozinho. Devora Shakespeare em tradução, Homero, as crônicas medievais. Aos 14 anos, trabalha como escrevente em um cartório. Aos 20 anos, com 53 francos no bolso e uma carta de recomendação assinada por um amigo de seu pai, vai para Paris.

Ele quer escrever. Ele quer viver. Ele quer tudo.

Em uma geração, torna-se o escritor mais lido da França. Calcula-se que ele escreveu — sozinho ou com colaboradores (que eram chamados na época, sem constrangimento, de « negros literários ») — mais de 250 obras. Mais de 100.000 páginas. Romances, peças de teatro, relatos de viagem, memórias, ensaios históricos. Publicava um romance a cada três meses. Às vezes dois ao mesmo tempo, em dois jornais diferentes.

Ele amava a vida: as mulheres (são conhecidas pelo menos 40 amantes, talvez 60), a boa mesa (publica até, no fim da vida, um Grand Dictionnaire de cuisine de 1150 páginas), as viagens (Itália, Espanha, Rússia, Cáucaso), os duelos (bateu-se pelo menos cinco vezes, sempre por uma mulher ou uma palavra ofensiva). Gastava mais rápido do que ganhava. Morre em 1870, em Puys, perto de Dieppe, na casa de seu filho, arruinado — mas feliz.

Em 2002, o presidente Jacques Chirac transfere suas cinzas para o Panteão, em Paris, ao lado de Victor Hugo, Émile Zola, Jean-Jacques Rousseau. Uma honra nacional. O discurso de Chirac começa assim: « Com você, éramos d'Artagnan, Monte-Cristo… »


2 · A invenção do romance-folhetim

No século XIX, os jornais parisienses descobrem uma arma comercial formidável: o romance-folhetim. O princípio? Publica-se um romance em episódios, um capítulo por dia, na parte inferior da página (no « feuilleton », ou seja, a parte destacável do jornal). O leitor compra o jornal para conhecer a continuação. É o ancestral direto da Netflix: um episódio, um suspense, encontro amanhã.

Os grandes jornais — Le Siècle, La Presse, Le Constitutionnel — disputam para ter os melhores folhetinistas. Dumas é o mestre absoluto do gênero. Cada capítulo termina com um suspense insuportável: « E então, a porta se abriu… », « Milady sorriu… », « D'Artagnan caiu, sem sentidos… ». No dia seguinte, toda Paris corre à banca de jornal.

O romance-folhetim muda tudo. Antes, a literatura era reservada aos ricos: os livros custavam caro. Com o folhetim, pode-se ler um romance por alguns centavos. Os operários, as funcionárias, as mulheres que não frequentavam os salões — todo mundo lê Dumas. Ele inventa, portanto, o romance popular, no sentido nobre do termo: um romance para o povo.

Alguns críticos desprezam esse sucesso. Dizem que Dumas escreve rápido demais, que fabrica intrigas fáceis. Mas Dumas não se importa. Ele escreve: « Não sou um grande escritor. Sou um grande divertidor. » E ele tinha razão: 180 anos depois, ainda lemos seus romances. Quem se lembra dos críticos?


3 · Os Três Mosqueteiros (1844)

Os Três Mosqueteiros é publicado em folhetim no Le Siècle de 14 de março a 14 de julho de 1844. Quatro meses. 67 capítulos. Um triunfo imediato.

A ação se passa em 1625, sob o reinado de Louis XIII. O verdadeiro poder? O cardeal de Richelieu, ministro genial e impiedoso. A rainha da França, Anne d'Autriche, detesta o Cardeal. Ela ama em segredo o duque de Buckingham, primeiro-ministro da Inglaterra — o inimigo da França.

As personagens:

  • d'Artagnan: jovem gascão de 18 anos, que foi para Paris com um cavalo amarelo, uma espada enferrujada e uma carta de recomendação para M. de Tréville, capitão dos Mosqueteiros do Rei. Sonha em se tornar mosqueteiro. É orgulhoso, ingênuo, apaixonado, brigão.
  • Athos: o mais nobre dos três amigos. Misterioso, elegante, melancólico. Esconde um segredo terrível (descobrimos no meio do romance: foi casado com Milady, que acreditou ter enforcado por roubo).
  • Porthos: o fanfarrão gordo. Adora roupas bonitas, refeições fartas, duelos espetaculares. Mente frequentemente, mas é leal até a morte.
  • Aramis: o futuro abade. Elegante, discreto, galante. Diz que vai entrar para as ordens, mas ama uma duquesa casada.
  • Milady de Winter: a grande antagonista. Espiã do Cardeal, bela, inteligente, mortal. Tem uma flor-de-lis tatuada no ombro esquerdo — a marca dos criminosos, no século XVII.

A trama: a rainha Anne ofereceu em segredo doze ferretes de diamantes (joias preciosas) ao duque de Buckingham, durante um baile. O Cardeal descobre. Convence o Rei a organizar um novo baile onde a Rainha deverá usar seus ferretes. Mas os ferretes estão na Inglaterra! Se ela não os usar, o escândalo explode: todo mundo entenderá que ela ofereceu as joias do Rei ao inimigo da França.

Missão impossível: d'Artagnan e os três Mosqueteiros devem buscar os ferretes em Londres em menos de doze dias. Partem em quatro. No caminho, são atacados, traídos, feridos. Três deles caem. Somente d'Artagnan chega a Londres, recupera os ferretes, volta a Paris no último instante. A Rainha está salva.

Mas Milady, humilhada, jura se vingar. A segunda parte do romance é um longo duelo entre d'Artagnan e Milady. Ela mata Constance Bonacieux, o amor de d'Artagnan. Os Mosqueteiros a encontram, julgam-na, condenam-na. Ela morre, decapitada, à margem de um rio, na noite.

O lema « Um por todos, todos por um »? Aparece uma única vez, no capítulo IX, quase de passagem:

« Todos por um, um por todos, — é nosso lema, não é? diz Athos. »

Dumas ignorava que acabara de escrever uma das frases mais citadas da literatura mundial.

Os quatro mosqueteiros (Athos, Porthos, Aramis, d'Artagnan) espadas cruzadas em uma saudação de honra.

« Um por todos, todos por um! » — a famosa saudação de Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan. O lema, na realidade, apareceu tardiamente no romance.


4 · Seus outros grandes romances

O Conde de Monte-Cristo (1844-1846)

O maior romance de vingança da literatura mundial.

A história: Edmond Dantès, jovem marinheiro marseillês de 19 anos, está prestes a se casar com a bela Mercédès e a se tornar capitão. Mas três homens ciumentos — Danglars (que quer seu cargo), Fernand (que ama Mercédès), Villefort (um juiz ambicioso) — o acusam falsamente de traição bonapartista. Edmond é preso no dia de seu casamento, jogado no château d'If, uma prisão-fortaleza ao largo de Marselha.

Fica lá quatorze anos. Sozinho, no escuro, sem julgamento, sem esperança. Enlouquece. Quer se deixar morrer. Mas outro prisioneiro, o abade Faria, cava um túnel e chega por engano na cela de Edmond. Durante sete anos, Faria instrui Edmond: ciências, línguas, história, filosofia. E antes de morrer, revela-lhe um segredo: conhece a localização de um tesouro fabuloso, escondido na ilha de Monte-Cristo, ao largo da Itália.

Edmond foge se metendo no saco mortuário de Faria, que é jogado ao mar. Sobrevive, encontra o tesouro, torna-se imensamente rico. Transforma-se no conde de Monte-Cristo, aristocrata misterioso. Volta a Paris. E durante dez anos, metodicamente, destrói um por um seus três acusadores: Danglars é arruinado, Fernand se suicida, Villefort enlouquece.

Mas a vingança não traz felicidade. No final, Monte-Cristo compreende que somente o perdão salva. Parte com Haydée, uma jovem escrava grega que salvou e que o ama. Deixa para trás uma carta: « Toda a sabedoria humana está nestas duas palavras: esperar e ter esperança. »

1500 páginas. Longo, mas absolutamente viciante. Se você tivesse que ler APENAS UM Dumas, seria este.


A Rainha Margot (1845)

As guerras de religião. Paris, 1572. Marguerite de Valois (« a Rainha Margot »), filha católica do rei Henri II, casa-se com Henri de Navarre, príncipe protestante, para selar a paz entre os dois campos. Mas seis dias após o casamento, acontece o massacre da Saint-Barthélemy: na noite de 24 de agosto de 1572, os católicos massacram milhares de protestantes em Paris.

Romance sombrio, violento, magnífico. Conspirações, venenos, traições, amores impossíveis. Margot ama La Mole, um fidalgo protestante. Ele será decapitado. Ela recuperará sua cabeça embalsamada e a guardará em um cofre até sua morte.

Para leitores B2+: o vocabulário da corte do século XVI é mais difícil do que em Os Mosqueteiros.


Vinte Anos Depois (1845)

Sequência de Os Três Mosqueteiros, vinte anos depois. Estamos em 1648, sob a Regência de Anne d'Autriche. O Cardeal de Richelieu morreu. Seu sucessor, Mazarin, governa a França. Mas o povo se revolta: é a Fronda, uma guerra civil entre o Rei e o Parlamento de Paris.

Nossos heróis envelheceram. D'Artagnan ainda é simples tenente. Athos retirou-se para seu castelo, adotou um filho, Raoul de Bragelonne. Porthos enriqueceu por um casamento vantajoso. Aramis tornou-se abade — mas ainda conspira.

O drama? Os quatro amigos se encontram em campos opostos. Athos e Aramis apoiam a Fronda. D'Artagnan e Porthos servem Mazarin. Lutam uns contra os outros — mas sem realmente querer se matar.

Romance melancólico, mais sombrio que o anterior. Sente-se que Dumas também está envelhecendo.


O Visconde de Bragelonne (1847-1850)

Terceira e última parte da trilogia dos Mosqueteiros. O título completo tem 26 palavras: O Visconde de Bragelonne, ou Dez Anos Depois, incluindo O Homem da Máscara de Ferro, Louise de La Vallière, etc. — o que já diz muito.

A ação se passa sob Louis XIV, entre 1660 e 1673. Raoul de Bragelonne, filho adotivo de Athos, ama Louise de La Vallière. Mas Louis XIV a seduz. Raoul, desesperado, vai lutar na África e morre em combate. Athos morre de desgosto três dias depois.

E d'Artagnan? Finalmente se torna marechal da França, aos 63 anos. Mas durante o cerco de Maastricht, em 1673, recebe uma bala no peito. Morre de pé, espada na mão, murmurando: « Athos… Porthos… adeus… ».

Uma das mais belas passagens da literatura francesa.

É neste romance que aparece também O Homem da Máscara de Ferro, um misterioso prisioneiro preso na Bastilha, o rosto escondido por uma máscara de veludo. Dumas sugere (sem prova histórica) que seria o irmão gêmeo de Louis XIV. Verdade? Mentira? Não sabemos. Mas é um mito literário mundial.


A Tulipa Negra (1850)

Romance policial curto (400 páginas) que se passa na Holanda, em 1672. O jovem Cornelius van Baerle, sábio botânico, é acusado injustamente de conspiração política. É preso. Leva para a prisão três bulbos de tulipa negra — uma flor raríssima, nunca obtida, que vale uma fortuna. Na prisão, conhece Rosa, a filha do carcereiro. Ela o ajuda a cultivar a tulipa em segredo. Mas um vizinho ciumento, Isaac Boxtel, espia Cornelius e procura roubar a flor.

Romance de amor, de suspense botânico, de justiça. Perfeito para começar Dumas se você está no nível B1: o vocabulário é acessível, a trama simples, o ritmo rápido.


O Cavaleiro de Maison-Rouge (1846)

Paris, 1793. O Terror. Marie-Antoinette está prisioneira na Conciergerie. Um grupo de monarquistas organiza uma conspiração para salvá-la. O líder: o misterioso Cavaleiro de Maison-Rouge. Mas a conspiração falha. Marie-Antoinette é guilhotinada em 16 de outubro de 1793.

Romance histórico muito documentado. Dumas havia consultado os arquivos da Revolução. Mistura personagens reais (Robespierre, Danton, Hébert) e personagens fictícios (o Cavaleiro, Geneviève Dixmer, Maurice Lindey). Sombrio, trágico, comovente.


5 · Ler Dumas gratuitamente — modo de usar

As obras de Dumas entraram no domínio público em 1940 (70 anos após sua morte em 1870, segundo a lei francesa). Isso significa que você pode lê-las, baixá-las, imprimi-las, traduzi-las, adaptá-las — gratuitamente e legalmente.

Aqui estão duas bibliotecas digitais essenciais:


📚 Gallica — Bibliothèque nationale de France

👉

O tesouro absoluto. Gallica é a biblioteca digital da BnF (Bibliothèque nationale de France). Contém mais de 10 milhões de documentos digitalizados: livros, jornais, mapas, fotografias, gravações sonoras.

Todas as obras de Dumas estão disponíveis — e não em versão moderna reescrita, não: as edições originais do século XIX, digitalizadas página por página. Você pode ler os folhetins de Os Três Mosqueteiros como foram publicados no Le Siècle em 1844, com as gravuras da época, os anúncios da época, os erros de tipografia da época.

Formatos disponíveis:

  • PDF (digitalização das páginas)
  • EPUB (texto reformatado para leitor digital)
  • Texto puro (possível copiar e colar)

Como procurar Dumas no Gallica?

  1. Vá para
  2. Digite « Alexandre Dumas Trois Mousquetaires » na barra de busca
  3. Clique em « Livros » no menu à esquerda
  4. Clique no título que lhe interessa
  5. Clique em « Baixar » (no canto superior direito) → escolha PDF ou EPUB

Bônus: Gallica também contém:

  • Os jornais da época (você pode ler Le Siècle dia a dia, de 1836 a 1932)
  • As gravuras de Gustave Doré, Tony Johannot, etc.
  • Os cartões-postais do século XIX
  • As gravações de Sarah Bernhardt, Édith Piaf, etc.

O paraíso para um(a) estudante de francês que ama História.


📺 TV5 Monde — Bibliothèque numérique

👉

Mais recente, mais pedagógico. TV5 Monde (o canal internacional francófono) criou uma biblioteca digital especialmente concebida para estudantes de francês. Encontra-se uma seleção de clássicos franceses com recursos pedagógicos integrados:

  • Biografia do autor
  • Resumo da obra
  • Questões de compreensão por nível CECRL (A2, B1, B2, C1)
  • Léxico das palavras difíceis
  • Arquivos de áudio (alguns livros são lidos em voz alta)

Clássicos disponíveis: Dumas, mas também Molière, Balzac, Zola, Maupassant, Verlaine, Rimbaud, Colette, Camus, Françoise Sagan…

Gratuito, 100% legal, 100% pedagógico.


💰 Bônus: edições adaptadas para estudantes FLE

Se você prefere uma versão simplificada e anotada, várias editoras FLE publicam adaptações de Dumas:

  • Le Livre de Poche Classiques FLE: Os Três Mosqueteiros adaptado nível B1 (vocabulário simplificado, notas nas margens, questões de compreensão). Preço: 6-8 €. Frequentemente em promoção.
  • CLE International: coleção « Lectures FLE » (A2, B1, B2). Os Três Mosqueteiros existe em versão B1 (144 páginas). Com CD de áudio.
  • Hachette FLE: coleção « Lire en français facile ». O Conde de Monte-Cristo nível B1 (128 páginas).

Estas edições são pagas, mas são perfeitas se você está começando e tem medo de se perder nas 1500 páginas da versão original.


6 · Por onde começar?

Você está diante do Gallica. Vê 50 títulos de Dumas. Por onde começar?

Se você está no nível A2/B1: comece por A Tulipa Negra. É curto (400 páginas), romanesco, simples. Ou pegue a edição adaptada B1 de Os Três Mosqueteiros da CLE International (6 €, com áudio). Não comece de jeito nenhum por O Conde de Monte-Cristo: você vai desanimar.

Se você está no nível B1/B2: mergulhe em Os Três Mosqueteiros. Versão original, no Gallica. Vá com calma: um capítulo por noite. São 67. Você tem um pouco mais de dois meses de leitura — é o ritmo certo. Anote as palavras desconhecidas em um caderno. Releia as passagens difíceis. Não procure tudo no dicionário: deixe-se levar pela trama.

Se você está no nível B2+: O Conde de Monte-Cristo. Versão integral, 1500 páginas. É longo. É genial. Três meses de felicidade. Você vai chorar, rir, tremer. Vai odiar Villefort, admirar Faria, amar Haydée. E no final, vai fechar o livro pensando: « Acabei de ler um dos maiores romances do mundo. »


Pequeno quadro · Um falso cognato para memorizar

« Mousquetaire » ≠ « mosqueteiro » (no sentido moderno)

Um mousquetaire não é apenas « um soldado » — é um oficial de elite da guarda real francesa do século XVII, armado inicialmente com um mousquet (uma arma de fogo antiga, pesada, pouco precisa). Os Mosqueteiros do Rei eram uma companhia específica, aristocrática, criada em 1622, dissolvida em 1776.

Em português brasileiro contemporâneo, « mosqueteiro » evoca quase exclusivamente os personagens de Dumas. Em francês, a palavra guarda uma pequena conotação histórica e militar precisa.

Outro detalhe: no romance, os Mosqueteiros quase nunca lutam com mosquete. Preferem a espada. Ironia da História.


Conclusão

Dumas é o prazer puro da leitura. Nada de filosofia complicada, nada de poesia obscura, nada de palavras raras para brilhar em sociedade. Apenas personagens que galopam, se beijam, se batem, se traem, se perdoam, morrem — e que nunca esquecemos.

O melhor remédio do mundo contra o aprendizado laborioso do francês? Abra o Gallica ou o TV5 Monde esta noite. Baixe Os Três Mosqueteiros. Abra seu caderno. Leia o primeiro capítulo. E deixe-se levar pela História.

Em dois meses, você terá lido 67 capítulos. Conhecerá d'Artagnan, Athos, Porthos, Aramis tão bem quanto seus amigos. Terá aprendido 500 palavras novas sem perceber. E terá vontade de continuar.

É isso, Dumas. É isso, a literatura.

Todos por um, um por todos.


Mini-léxico FR | PT-BR

FrancêsPortuguês
Un romanUm romance
Un feuilletonUm folhetim
Un chapitreUm capítulo
Un mousquetaireUm mosqueteiro
Un duelUm duelo
La vengeanceA vingança
Le domaine publicO domínio público
TéléchargerBaixar
Une adaptationUma adaptação
ProlifiqueProlífico
Un trésorUm tesouro
Un prisonnierUm prisioneiro
Un complotUma conspiração
Un masqueUma máscara
GratuitGratuito

— Lionel Philippe · vulgo « Monsieur Merci Bonjour »

Exercícios

1) QCM — Compreensão global

Questão 1: Qual é a profissão principal de Alexandre Dumas?

  • A) General do exército
  • B) Escritor e autor de romances
  • C) Tabelião
  • D) Jornaleiro

Questão 2: O que é um « romance-folhetim »?

  • A) Um romance publicado em um único volume por uma editora
  • B) Um romance publicado em episódios diários em um jornal
  • C) Um romance escrito exclusivamente por vários autores
  • D) Um romance reservado aos leitores ricos

Questão 3: Em que ano Os Três Mosqueteiros foi publicado em folhetim?

  • A) 1802
  • B) 1825
  • C) 1844
  • D) 1870

Questão 4: Qual é o slogan / lema célebre do romance?

  • A) « Pelo povo, para o povo »
  • B) « Um por todos, todos por um »
  • C) « Viva a França »
  • D) « Liberdade, igualdade, fraternidade »


2) QCM — Compreensão detalhada

Questão 1: Qual era o apelido do pai de Alexandre Dumas?

  • A) O Cavaleiro Branco
  • B) O Diabo Negro
  • C) O General Vermelho
  • D) O Oficial Azul

Questão 2: Em que ano Alexandre Dumas nasceu?

  • A) 1775
  • B) 1798
  • C) 1802
  • D) 1806

Questão 3: Em qual jornal Os Três Mosqueteiros foi publicado pela primeira vez?

  • A) La Presse
  • B) Le Siècle
  • C) Le Constitutionnel
  • D) Le Figaro

Questão 4: Quantas amantes Alexandre Dumas teria tido, segundo o texto?

  • A) Entre 10 e 20
  • B) Entre 20 e 40
  • C) Entre 40 e 60
  • D) Mais de 100

Questão 5: Em que ano as cinzas de Dumas foram transferidas para o Panteão?

  • A) 1870
  • B) 1902
  • C) 2002
  • D) 2025


3) Associação — Vocabulário temático

Associe cada termo à sua definição correspondente:

TermoDefinição
1. RomanA) Publicação regular de um texto, um capítulo por dia, em um jornal
2. FeuilletonB) Personagem de nobreza, oficial do rei ou do exército
3. ChapitreC) Obra de ficção em prosa, longa narrativa
4. MousquetaireD) Parte numerada de um romance ou de um livro
5. DuelE) Maneira como um romance ou um filme é transformado em outra forma
6. VengeanceF) Combate entre duas pessoas pela honra ou pelo amor
7. Domaine publicG) Estado em que uma obra literária não é mais protegida por direitos autorais
8. TéléchargerH) Ato de se vingar, de retribuir o mal com o mal
9. AdaptationI) Copiar digitalmente um arquivo da Internet
10. ProlifiqueJ) Que produz muitas obras, muito produtivo

4) Produção curta

Questão 1: Qual dos romances de Dumas mencionados no texto você gostaria de ler primeiro: Os Três Mosqueteiros ou outro? Por quê? (3-4 frases)


Questão 2: O texto fala do romance-folhetim como o « ancestral da Netflix ». Você conhece um equivalente brasileiro desse formato? Você acha que as séries de TV modernas funcionam segundo o mesmo princípio? (3-4 frases)

Gabaritos

1) QCM — Compreensão global

QuestãoRespostaJustificativa
1BO texto apresenta Dumas como um escritor prolífico que escreveu mais de 250 obras.
2B« Publica-se um romance em episódios, um capítulo por dia, na parte inferior da página. »
3C« Os Três Mosqueteiros é publicado em folhetim... de 14 de março a 14 de julho de 1844. »
4BA frase de abertura do texto: « Um por todos, todos por um! »

2) QCM — Compreensão detalhada

QuestãoRespostaJustificativa
1B« Era apelidado de 'le Diable noir' (o Diabo Negro). »
2C« Alexandre Dumas nasce em 1802 em Villers-Cotterêts. »
3B« Os Três Mosqueteiros é publicado em folhetim no Le Siècle de 14 de março a 14 de julho de 1844. »
4C« São conhecidas pelo menos 40 amantes, talvez 60. »
5C« Em 2002, o presidente Jacques Chirac transfere suas cinzas para o Panteão. »

3) Associação — Gabarito

TermoRespostaTermoResposta
1. RomanC6. VengeanceH
2. FeuilletonA7. Domaine publicG
3. ChapitreD8. TéléchargerI
4. MousquetaireB9. AdaptationE
5. DuelF10. ProlifiqueJ

4) Produção curta — Sugestões de resposta

Questão 1: Exemplo de resposta:

Gostaria de ler Os Três Mosqueteiros primeiro porque é o romance mais célebre de Dumas. O texto mostra que é uma história de ação com duelos e aventuras, o que deve ser muito divertido. Além disso, é um clássico que muitas pessoas conhecem, então seria interessante descobrir a história original.

Questão 2: Exemplo de resposta:

No Brasil, as telenovelas e as séries de televisão funcionam de maneira similar ao romance-folhetim: publicam episódios regulares que criam suspense para que os espectadores voltem para assistir à continuação. Sim, acho que as séries modernas como as da Netflix também usam esse princípio com os cliffhangers e as temporadas para manter a audiência engajada.

Leitura livre para os Soltos. Alguns artigos são reservados aos Soltos+ — é o que permite que este blog exista. Ver planos →

Revisado por Vincent, nosso serial-corretor · 20 de julho de 2026

#Littérature#Dumas#B1#XIXe siècle#roman-feuilleton#Gallica#TV5 Monde
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